Professora Gazeteira (2002)

Todo ano, a comunidade é ameaçada com as famosas greves das professoras. Curiosamente, as maiores ameaças são proferidas pelos representantes dos “inativos”, “viúvas” e “fantasmas”. Na briga entre governo e corporações, quem sofre são as crianças.

Vejam um exemplo da mobilização das professoras:

1.   Em junho/95, os professores das escolas estaduais promoveram uma paralisação que durou mais de 30 (trinta) dias;

2.   O Governo Estadual estimou a adesão dos professores em 30% (trinta por cento);

3.   Os sindicatos da categoria garantiram que a adesão era de mais de 70% (setenta por cento);

4.   Mais de 90% (noventa por cento) das escolas estaduais tiveram as atividades paralisadas;

5.   Apesar dos índices apresentados, quando se verificou a folha-de-pagamento dos professores, constatou-se que as ausências, registradas nos Diários das Escolas, eram da ordem de apenas 01% (um por cento).

6.   Conclusão: os professores assinavam as listas de presença, alguém dizia à comunidade que não haveria aula, e os pais não enviavam os filhos às escolas, criado uma situação inusitada: os responsáveis pela paralisação das atividades escolares, segundo os registros escolares, foram os alunos que não compareceram às aulas.

As corporações vivem exigindo que “Cumpram o que prometeram”, mas esquecem-se das suas responsabilidades com os alunos, pais e comunidade. Querem um exemplo? Basta insinuar a possibilidade da comunidade avaliar uma escola que as “professoras” ficam hostis, desqualificam os pais e chamam os alunos de “marginais”. Esta discriminação se verifica na proposta de “piso de 5 salários mínimos” para a categoria. Assim, toda vez que os “pobres” se mobilizarem para aumentar suas miseráveis remunerações, as corporações das professoras terão garantido seus aumentos salariais!!!

As escolas públicas são exemplos vivos do autoritário “sistema feudal brasileiro”: não aceitam ser avaliadas. Até mesmo uma simples proposta do governo estadual no sentido de gratificar “as professoras” pela assiduidade (presença em sala de aula) foi motivo de “fúria” das corporações.

Ora, qualquer educador sabe que a principal diferença entre a escola pública e a “particular” é a presença “das professoras” na sala de aula. Se um aluno da rede particular ficar “sem aula”, a escola será processada por danos morais e materiais. Na escola pública, inventam um “sem-número” de artifícios para “premiar a professora gazeteira”.

Embora  a profissão de professora exija vocação, temos encontrado a predominância de espertezas. Vejam que o regime especial (jornada de 20 horas semanais e aposentadoria antecipada), criado para garantir a saúde do profissional, vem sendo utilizado como forma de “arrumar um segundo emprego”. Não raro, encontramos professoras “vendendo mais de 10 horas de aula por dia”. Isso, além de comprometer o processo de ensino –aprendizagem, transforma a sala de aula numa “panela de pressão” devido ao esgotamento  físico e mental dos profissionais. E quem mais sofre na pele é justamente o aluno que fica sob a autoridade de uma pessoa sem as mínimas condições para exercer tal função. Destaque-se que muitas professoras “aposentadas” continuam vendendo aulas na rede pública. Isto, aliado a falta de um controle efetivo da presença dos profissionais em sala de aula, explica a baixa qualidade do ensino na rede pública e no Brasil em geral.

Curiosamente, as professoras não se sentem responsáveis pela Educação miserável oferecida aos brasileiros: Em dezembro passado, o Ministério da Educação divulgou que os estudantes brasileiros ficaram em último lugar nas provas de leitura, matemática e ciências do Programa Internacional de Avaliação de Alunos. A pesquisa avaliou alunos de 15 anos em 28 países desenvolvidos e em quatro países em desenvolvimento.” Muito pelo contrário: em pesquisa recente, a nota média que professores da escola pública deram para o estabelecimento onde trabalham foi 7, o que, numa escala de 0 a 10, pode ser entendida como algo entre bom e muito bom. A nota atribuída ao preparo e competência deles mesmos foi 8. Já o desempenho dos alunos teve média 6,3. Qual seria a nota dos Inativos, das Viúvas e dos Fantasmas?

A ignorância é tamanha que chegamos ao absurdo de ter uma mãe que entrou com medidas judiciais para reprovar o próprio filho, estudante da 5ª série da Escola Pública Municipal Abimael Carlos de Campos, em Votorantim, a 108 quilômetros de São Paulo, pois o menino não sabia ler nem escrever. A tragédia é o fato da escola não ter identificado, em cinco anos, que o aluno tinha dislexia, uma disfunção cerebral que impede a leitura de frases, palavras ou sílabas. (in Jornal O Estado de S. Paulo, 02/03/2002). A mãe deveria processar a escola e as professoras pela absoluta falta de capacidade em educar uma criança.

A hipocrisia prefere culpar as crianças pelos 502 anos de ignorância no Brasil.

Mauro A. Silva (Presidente) – 5 anos de defesa contra abusos do Poder Público

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GRÊMIO Social-Esportivo-Recreativo SUDESTE – Promoção da Cidadania e Defesa do Consumidor
e-mail: gremio_sudeste@yahoo.com
Vinculado ao Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública – COEP – http://movimentocoep.ning.com/
Ofício Circular nº G08102
Ref.: Não basta ser professora…Tem de ser educadora;
S. Paulo, 30 de março de 2002.

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